Carbon Expo 2009
Carbon Expo 2009 recebeu cerca de 3 mil visitantes
Pela primeira vez realizada na Espanha, a feira de negócios do mercado internacional de carbono mais uma vez foi a oportunidade para os setores publico e privado apresentarem seus projetos, trocar experiências e apontar tendências envolvendo as questões da mudança do clima
De 27 a 29 de maio de 2009, o comércio internacional de carbono foi o assunto no centro de exposições em Barcelona, na Espanha, local onde foi realizada a Carbon Expo. Representantes dos mercados líderes no mercado de carbono se encontraram na sexta edição do evento para dividir experiências e ganhar conhecimento sobre assuntos atuais e tendências, tecnologias, projetos e serviços envolvendo esse tema.
No total, foram 276 expositores de 83 países e aproximadamente 3 mil visitantes vindos de 111 países, que participaram da feira de negócios e conferência de comércio de emissões, soluções de mitigação de emissão de carbono e novas tecnologias. Essa foi a primeira vez que o evento foi realizado em Barcelona, e foi organizado pelo Banco Mundial, pela Ieta – International Emissions Trading Association, Fira Barcelona e Koelnmesse. Entre os expositores estavam representantes de alto nível de governos de 47 países em desenvolvimento e países com economias em transição que, com apoio do Banco Mundial, apresentaram os atuais projetos de redução de emissão e o investimento relacionado, além de oportunidades de desenvolvimento.
Em meio ao desenvolvimento da Carbon Expo 2009 e da continuidade do crescimento do mercado global de carbono, os organizadores estavam extremamente satisfeitos com os resultados dessa edição do evento. Em uma declaração feita em conjunto, eles afirmaram que o número de visitantes e expositores prova que, apesar da crise financeira, a importância do comércio de emissões está clara. “Estamos satisfeitos com a oportunidade de reunir todos os atores mais relevantes deste mercado num só local”, avaliaram.
O Brasil esteve presente mais uma vez com uma delegação formada por 40 representantes e dois expositores: o BCB – Brazilian Carbon Bureau e a CNI – Confederação Nacional da Indústria. “Para o BCB, que participou pelo sexto ano consecutivo da Carbon Expo, essa edição foi muito proveitosa, pois, além dos contatos com pessoas que atuam diretamente na área, tivemos a oportunidade de distribuir o nosso questionário e, com isso, captar informações importantes sobre o que os especialistas esperam do Brasil em termos de negócios nesse mercado. Em breve teremos o resultado dessa pesquisa”, declarou Julio Tocalino Neto, diretor do BCB.
Nessa sexta edição, a Carbon Expo caracterizou-se novamente com uma extensa programação de conferências. Os participantes beneficiaram-se do conhecimento de mais de 250 palestrantes. Muitos desses encontros foram ministrados por representantes de governos dos mais importantes países e entidades ligadas ao tema, abordando, de um modo geral, a situação atual das negociações internacionais de mudança do clima e o papel crucial que as finanças em carbono devem ter no futuro. A Carbon Expo 2009 foi o último evento mais importante em mercado de carbono antes do encontro ministerial em Copenhague, em dezembro deste ano, no qual serão definidos os rumos pós-2012 nesse tema. Nove sessões plenárias de alto nível, 28 workshops interativos e 55 eventos envolvendo a situação presente, tendências e possíveis desenvolvimentos foram apresentados e discutidos. Os organizadores discutiram todos os aspectos do mercado de GEE – Gases de Efeito Estufa, o qual foi dividido em um Fluxo de Projeto, Fluxo de Negócios, um Novo Fluxo de Mercado e Cidades e Fluxo de Finanças em Carbono. As Cidades e Fluxo de Finanças em Carbono mostraram que populações urbanas crescem rapidamente, assim como sua demanda por água e energia e sua vulnerabilidade pelos impactos da mudança do clima – esses resultados levaram à análise dos participantes de que as cidades são uma das áreas mais urgentes para a definição de políticas climáticas e ações efetivas nesse âmbito. “A feira e conferência de mercado global de carbono obteve sucesso ao reunir os maiores atores do mercado de carbono sob o mesmo teto. Achamos que isso é uma plataforma útil e eficaz para disseminar informação sobre MDL – Mecanismo de Desenvolvimento Limpo e implementação conjunta”, destacou John Kilani, diretor de mecanismos de desenvolvimento sustentável da UNFCCC – United Nations Framework Convention on Climate Change.
A Carbon Expo 2010 será realizada novamente em Cologne, Alemanha, de 26 a 28 de maio, organizada pelo Banco Mundial, Ieta e Koelnmesse, local onde cinco edições anteriores bem-sucedidas aconteceram. Segundo os organizadores, a solução para a mudança do clima deve ser definida nos próximos anos. “A Carbon Expo 2009, em Barcelona, mostrou o papel-chave das finanças em carbono no mundo pós-2012. A Carbon Expo 2010 acrescentará outro capítulo nesta história sob a luz das decisões de Copenhague. Estamos confiantes em outra feira e conferência de negócios vibrantes em 2010”, concluíram os organizadores.
Banco Mundial – Cálculos apresentados pelo Banco Mundial na Carbon Expo mostram que o mercado de emissões internacionais continua seu rápido crescimento. A Carbon Expo 2009 começou com uma coletiva de imprensa do Banco Mundial, divulgando o relatório “State and Trends of the Carbon Market 2009”, que trata do balanço e de perspectivas nesse mercado, junto com a quarta edição do “GHG Market Sentiment Survey”, pesquisa de mercado de GEE, da Ieta. De acordo com o estudo do Banco Mundial, o mercado global de carbono cresceu de US$ 30 bilhões, em 2006, para mais de US$ 64 bilhões, em 2007, e dobrou novamente em 2008 para mais de US$ 126 bilhões, o que equivale a 90 bilhões de euros – apesar do tumulto no mundo financeiro. O relatório ainda mostra que a longo prazo há projeção para o mercado se fortalecer ainda mais.
Entretanto, aponta que o valor das transações em projetos de MDL em países em desenvolvimento declinou 12% - para um valor estimado de US$ 6.5 bilhões em 2008, com uma média de preço de US$ 16.8 por tonelada de CO2e. A União Européia recentemente aprovou um pacote de Energia e Mudança do Clima, se comprometendo a reduzir suas emissões em 20% para o ano de 2020, com uma promessa de reduzir ainda mais se outros países participarem de um acordo internacional a ser negociado em Copenhague. Os Estados Unidos também estão considerando adotar uma política compreensiva em relação à mudança do clima. De acordo com especialistas, essas duas propostas juntas poderiam apresentar uma oportunidade de aumentar proporcionalmente a oferta no mercado de emissões nos países em desenvolvimento. “Como uma resposta à crise climática, um mercado de carbono profundo e global continua com a promessa de promover benefícios para países desenvolvidos e em desenvolvimento”, disse Katherine Sierra, vice-presidente de desenvolvimento sustentável do Banco Mundial.
De acordo com análise do Banco Mundial, os efeitos da crise econômica também se refletiram no mercado de carbono. A partir de meados de 2008 esse mercado registrou forte redução na demanda por créditos de carbono provocada pela queda na atividade industrial, e redução na emissão de GEE, em paises industrializados. A queda de demanda, por sua vez, se refletiu na forte redução dos preços, confirmando o que também se passava com a maioria das commodities energéticas. A atividade do mercado começou a reagir mais fortemente a partir do mês de Marco de 2009. Mesmo assim as avaliações apontam que há ainda um longo caminho até a recuperação total desse mercado, pois a crise diminuiu de forma significativa a necessidade de paises e indústrias em adquirir créditos de carbono para cumprir com suas metas de redução de GEEs.



